Pílulas com 164 vezes menos hormônios, implantes que impedem a gravidez por até três anos, anéis flexíveis que você coloca e esquece porque já está protegida. BOA FORMA traz o que há de mais atual no mundo dos anticoncepcionais para você chegar à próxima consulta médica pronta para fazer a melhor escolha
Desde que a pílula anticoncepcional permitiu às mulheres maior controle sobre sua vida e sua sexualidade – há mais de 50 anos! –, não param de surgir novos métodos para bloquear a fertilidade. Eles são tantos que, para muitas, difícil mesmo é escolher o melhor. “Infelizmente, ainda atendo a mulheres que usam determinado método porque a vizinha indicou. Elas simplesmente vão à farmácia e compram”, afirma a ginecologista Angela Maggio da Fonseca, professora livre-docente da Faculdade de Medicina da USP e membro da Associação das Mulheres Médicas. “Sem a orientação adequada, essas pacientes talvez não possam usufruir de todos os benefícios e garantias do método.”
Mas entre tantas possibilidades, como escolher o seu método? “Não existe um que seja ótimo para todas”, alerta a ginecologista Cristina Guazzelli, professora associada livre-docente da Universidade Federal de São Paulo (Escola Paulista de Medicina). “É preciso entender o que é melhor para a saúde e para o momento de vida de cada mulher.”
A orientação de um profissional de saúde é imprescindível. Se a decisão recair sobre a pílula – opção de 59% das brasileiras, segundo uma pesquisa realizada pelo laboratório MSD no final de 2011 –, há uma enorme variedade de combinações hormonais no mercado. Mas, para quem vive se esquecendo de tomar o comprimido, talvez o implante subcutâneo – que age ininterruptamente por três anos – seja a melhor alternativa. Métodos hormonais devem ser indicados com cautela para mulheres fumantes com mais de 35 anos, pois o estrogênio favorece a formação de coágulos, que podem entupir artérias e veias. “É preciso avaliar a segurança e a eficácia de cada método caso a caso”, diz Nilson Melo. Entenda um pouco melhor como funcionam os principais contraceptivos e chegue bem-informada à consulta médica:
Pílulas
A combinada, que associa o estrogênio a um progestagênio - derivado sintético da progesterona -, é o método contraceptivo mais empregado no mundo, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos. Juntos, esses dois hormônios inibem a ovulação, além de alterar a espessura do muco cervical, dificultando o caminho para os espermatozoides. ''As versões modernas trazem grandes avanços'', explica o médico Nilson Melo. ''As primeiras pílulas combinadas tinham dez vezes mais estrógeno e 164 vezes mais derivado da progesterona''. Graças à quantidade reduzida de hormônio, as pílulas de baixa dose levam vantagem sobre suas antecessoras por causar menos efeitos adversos, como inchaço, dor de cabeça e inibição do desejo sexual. Costumam vir em cartelas com 24 comprimidos, que devem ser ingeridos todo dia, de preferência no mesmo horário. Depois, a mulher faz uma pausa de quatro dias e começa uma nova cartela. ''Alguns laboratórios oferecem quatro comprimidos extras, como placebo ou com ferro ou vitamina B6, para que a mulher não se atrapalhe no período de pausa'', informa o médico. Não é recomendada para fumantes com mais de 35 anos, pacientes com hipertensão e algumas doenças cardíacas. Existe também a pílula com um só hormônio, derivado da progesterona, para aquelas que devem evitar o estrógeno: mulheres que estão amamentando, que fazem tratamentos de longa duração com pílula, portadoras de problemas hepáticos ou simplesmente que não toleram o inchaço que esse hormônio pode provocar. Os dois tipos de pílula têm a mesma eficácia, acima de 99%, se usadas direitinho. ''Se a mulher se esquece de tomar, a eficiência cai''.

Implante
Outro método hormonal de grande eficiência, em torno de 99%. Um bastonete com cerca de 4 centímetros, do tamanho de um palito de fósforo, é inserido no braço não dominante (o esquerdo, se você é destra) por meio de um procedimento rápido, realizado pelo médico em consultório ou ambulatório. ''Não é visível nem incomoda, embora, se passar a mão no braço, a mulher consiga sentir um relevo suave'', informa a médica Cristina Guazzelli. Com validade de três anos, libera progestagênio, inibindo a ovulação e tornando o muco cervical mais espesso, o que dificulta o percurso dos espermatozoides. Como na pílula e no anel, pode haver a diminuição do fluxo menstrual e até, no caso do implante, a amenorreia - ausência de menstruação. Segundo Nilson Melo, é contraindicado apenas para mulheres com câncer de mama.
Adesivo
Colado nos braços, nas nádegas ou no abdômen, libera gradualmente estrógeno e progestagênio, inibindo a ovulação. Cada adesivo deve ser trocado após uma semana, havendo uma pausa depois de três semanas de uso. Atenção: em dias de calor ou mesmo se você transpira muito, há o pequeno risco de se desgrudar, afetando a eficiência do método. Sua ação assemelha-se à da pílula, porém é ideal para mulheres que se esquecem de tomar. Se bem usado, sua eficácia se aproxima dos 99%.
Anel vaginal
É um dispositivo de silicone flexível e transparente que a própria mulher coloca na vagina, como se fosse um absorvente interno. Durante três semanas, ele libera estrógeno e progestagênio em quantidades menores que as da pílula, diretamente na parede vaginal. O fato de liberar menos hormônios diminui os efeitos adversos relacionados a eles, especialmente a cefaleia. Deve ser retirado no período menstrual e um novo anel é inserido após uma semana de pausa. As esquecidas se beneficiam, pois, embora tenha eficácia semelhantes às das pílulas combinadas, não é preciso tomar nova dose a cada dia. Não atrapalha a relação sexual.
Injeções
Esse método, à base de hormônios, tem versões mensais (com estrógeno e progestagênio) e trimestrais (apenas com progestagênio). Funciona como a pílula. As injeções, aplicadas via intramuscular no bumbum, resolvem o problema para as esquecidas e têm eficácia na faixa de 99%. A aplicação trimestral pode causar um pequeno aumento de peso graças à retenção de líquidos provocada pelos hormônios - vale mencionar o assunto com o médico.
Camisinha e diafragma
O preservativo ainda é o único método que protege contra todas as doenças sexualmente transmissíveis, inclusive a aids. O que não é pouca coisa. No entanto, embora a tecnologia possibilite produtos cada vez mais resistentes, ainda há o risco de rasgar ou estourar, abrindo caminho para uma gravidez indesejada. A eficácia beira os 97% se usada corretamente. Nos Estados Unidos, já está disponível a camisinha feita de filme plástico, que melhora a sensibilidade com a mesma eficácia da versão tradicional. Já o diafragma, anel de borracha ou silicone que age como uma tampa no colo do útero, deve ser associado com um espermicida e oferece alguma proteção contra DSTs. Pode ser colocado pouco antes do sexo, é reutilizável e dura até cinco anos, mas sua eficácia fica em torno de 94%.

DIU
Pode ser com progestagênio - hormônio sintético derivado da progesterona - ou com cobre. Ambos impedem a concepção, dificultando a passagem dos espermatozoides e modificando as condições do endométrio, que se torna incapaz de ''segurar'' o óvulo fecundado. O com progestagênio dura cinco anos, e o com cobre, até dez anos, com avaliações periódicas. Sua eficácia beira os 99%. ''Só podem ser colocados pelo médico, após um exame ginecológico que demonstre que não há contraindicações'', informa Angela Maggio.
Pílula do dia seguinte
Se a camisinha estourou ou rolou sexo sem proteção, a pílula do dia seguinte é o último recurso para evitar a gravidez: ela atrapalha a mobilidade dos espermatozoides e transforma a cavidade do útero num ambiente hostil para o ovo. Deve ser tomada até 72 horas depois do sexo e, nesse caso, sua eficácia se aproxima dos 99%. ''Porém ela traz uma grande quantidade de hormônio e deve ser usada apenas em emergências'', diz Angela Maggio. Resolvida a questão imediata, deve-se procurar um médico e buscar um método mais adequado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário